segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Natal em família, uma bagunça deliciosa !!!


eu fazendo bico porque meu sobrinho chorou no meu colo...


Desde criança sempre adorei o natal. Pra mim, era época de família reunida, os primos correndo pra lá e pra cá, amigo oculto, presentes dos avós e dos padrinhos, rabanada... uma delícia !!!
Como a minha família morava em Vitória/ES, meus avós paternos em João Monlevade/MG e meus avós maternos em Volta Redonda/RJ, meus pais decidiram que a cada ano o natal seria em uma das casas, o que tornava ainda mais legal a aventura.
Nos mudamos para João Monlevade no início da minha adolescência, época em que a família de lá meio que começou a dispersar, ao mesmo tempo em que a daqui se juntava e fazia o maior furdunço (se é que é assim que se escreve isso). Minha tia que faz aniversário no dia 24 de dezembro trazia um bolo e o churrasco rolava noite adentro, e, no dia 25 era o almoço na casa da vó Olga.
Mas o tempo foi passando, os avós foram embora morar com Papai do céu, cada filho passou a ter seus filhos casados e com filhos também, formando seus próprios núcleos. Então, acabou o churrascão do dia 24 de dezembro, mas, ainda tentaram manter o almoço do dia 25, cada ano na casa de alguém, ou, em algum restaurante, mas, também não deu certo, foi cada um pro seu canto.
Agora nós temos o nosso núcleo familiar também, e, apesar de pequeno, fazemos a nossa festinha de natal aqui em casa. À noite uma ceia com troca de presentes e no outro dia um churrasquinho pra comemorar o dia 25 de dezembro. Mas uma tradição das minhas avós, Maria e Olga, a minha mãe não deixou de lado: antes da ceia, todos têm que dar as mãos agradecendo pelo ano que passou, rezando um Pai Nosso em homenagem ao nascimento do menino Jesus.
Este ano o natal foi mais especial porque tínhamos um novo integrante na família, um bebezinho de quatro meses, meu sobrinho. Aí começou a confusão: eles vêm com o neném ou não? Todo mundo dando o seu palpite: “o neném vai dormir a viagem toda, nem vai sentir”, “que maldade fazer uma viagem longa dessas com um neném”, “ ele ainda é muito pequeno e pode pegar alguma doença”. Por fim, foi decidido: iríamos todos para a cidade do neném, e pronto.
Reserva de hotel, compra passagens de ida reservando a volta, afinal de contas é uma época em que todo mundo viaja. Desembarque no Terminal Tietê, nas palavras uma colega minha “a filial do Afeganistão”, acomodação no hotel, dormidinha de tarde pra agüentar a noite, e, meu irmão, muito solícito, fazendo questão de levar e buscar a gente pra lá e pra cá !
No final, foi uma delícia e adaptado. A troca de presentes teve que ficar para o dia 25 de dia porque depois da ceia o neném estava mamando. Na hora da tradicional foto da família, mais confusão: eu queria de todo jeito sair com o meu sobrinho no colo, mas ele chorou, aí o pai dele teve que pegar, mas eu peguei de volta... afff, haja paciência!
Mas a novidade deste ano foi que depois de darmos as mãos antes da ceia para o tradicional Pai Nosso, agradeci a Deus pelo novo integrante da família, meu sobrinho Vítor.

eu feliz porque peguei meu sobrinho de volta !!!


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vilãs

                                                         
Sabe essas vilãs de novela? Quem não se lembra da Odete Roitman, de Vale Tudo; da Flora, de A Favorita; Nazareth, de Senhora do destino, e, a mais famosa no momento, a Clara, de Passione. Elas são meigas, delicadas como uma flor, se fazem de boazinha na frente de todos, mostram as garras para suas vítimas quando acham o momento oportuno, e, quando são desmascaradas se fazem de coitadinhas e injustiçadas. Pois é, elas existem na vida real.
E digo mais, conheço gente assim. É claro que não posso dizer nome nem colocar foto por motivos legais, mesmo tendo como provar tudo o que passei, é possível que eu seja processada por difamação... rs rs rs.
Desculpem a amargura deste texto, para vocês que estão acostumados com o meu bom humor, mas é que fui separada de uma pessoa que amo incondicionalmente por causa de uma maldade muito grande, e, mesmo já se passando tantos anos eu não consigo esquecer porque as feridas não cicatrizam de jeito nenhum. Parece que nesta época do ano nos tornamos mais sensíveis... sei lá.                          
Você que está lendo este texto sabe o que é amor incondicional? É aquele amor que vem da alma, que você sente pela pessoa sem se importar de onde ela venha, o que ela faz ou o que ela seja. Você está do lado daquela pessoa para o que der e vier, você não separa a briga, já chega dando a voadora. Aí é que foi o meu erro...
No momento em que o veneno foi destilado ao objeto do meu amor incondicional, eu cheguei dando a voadora sem dó nem piedade. Sabem o que aconteceu? O mesmo que acontece nas novelas: é claro que na minha inocência de defender quem eu amo não me preocupei em ter testemunhas para o meu ato, e, a vilã se debulhou em lágrimas, saindo vitoriosa, como a pobre vítima da Andréa "arrogante", “impulsiva” e “inconseqüente”. Sabem quem ficou do meu lado? Ninguém. Nem mesmo quem sabia a verdade.
O motivo de escrever este texto em uma época que todos pensam somente em alegria e confraternizações é que justamente a vilã da história teve a coragem de me desejar “Feliz Natal”, para “que meu coração amolecesse”. Não posso dizer o que tive vontade de responder porque também posso ser processada por injúria, e, só aí já seriam dois processos num só texto... putz!
Me desculpem o desabafo meus leitores, mas é que tamanha falsidade mexeu muito comigo, porque fui afastada de uma das pessoas que mais amo e ainda tenho que suportar uma coisa dessas?

Não tenho ódio por essa pessoa, e nem por ninguém, muito pelo contrário, oro por ela todos os dias para que se arrependa do pecado que cometeu ao separar (graças a Deus apenas fisicamente) duas pessoas que se amam acima de tudo, um amor espiritual e limpo, acima das maldades do mundo.

Para encerrar com um pouco de bom humor, vou ilustrar o texto com famosas vilãs de novela. Espero que nenhuma das atrizes me processe pela comparação...

                                   

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O resgate


Não pensem que é um caso sobre alguma experiência de crescimento espiritual ou pessoal. Nada disso, é mais uma abobrinha do meu dia a dia. Aconteceu ontem lá em casa.
Estávamos nós, batendo aquele papo da hora do almoço, com aquele desanimo de segunda-feira, quando escutei um barulho diferente. Nada assustador, parecia um miado de filhote de gato ou de pássaro, sei lá.
Falei então: _ Gente, tem um filhote de gato por aqui.
Meu filho: _ Não tem nada, ficou doida mãe?
Meu pai: _Aonde é que vai ter um filhote de gato por aqui?
Fui pra fora da casa, olhei no lote ao lado, procurei nos arredores da casa e nada. O miado só aumentando e cadê o gato? Fazer o que, né? Fui trabalhar de pois do almoço.
Cheguei do trabalho à tarde e fiquei de bobeira na sala quando o miado começou novamente. Meu pai teve um insight: _ Esse gato está no telhado !!!
Eu pensei alto: _ Mas como um filhote de gato foi parar no telhado gente???
Meu pai levantou de repente:_ Vamos tirar ele de lá agora e já saiu pegando a escada de armar e levando para a varanda enquanto planejava a estratégia.
Saímos eu e minha mãe em disparada atrás dele, cada uma mais histérica do que a outra:_ Ai meu Deus, você vai cair da escada !!!
Minha mãe preocupadíssima: _ Bem, a gente tem que viajar amanhã, você não pode nem pensar em machucar ...
Meu pai assumiu a frente da situação: _Já localizei o bicho, vou ter que desmontar o telhado. Vocês duas me ajudem segurando as telhas que eu tirar.
Eu e minha mãe, as subordinadas, obedecíamos as ordens do comandante, e, enquanto segurávamos a escada (toda enjambrada) para meu pai não cair íamos recolhendo as telhas que ele tirava, entre um grito histérico e outro.
Meu pai desmontou parte do telhado e ficou pra fora, da cintura pra cima, procurando o bicho, até que então: _Tô vendo ele, tá com a cabeça presa embaixo da telha do acabamento do telhado, vou ter que ir mais um pouco.
Mais gritos histéricos das mulheres enquanto ele se esticava para fora do telhado executando a meticulosa operação. Depois de uns três minutos e uns cinco gritos ele voltou heróico segurando um minúsculo filhote de gato em uma das mãos, me entregando o bichinho e parando no alto da escada para recuperar o fôlego para montar o telhado novamente e descer.
Telhado remontado, meu pai em terra firme, para nosso alívio. Então surgiu a pergunta: _E agora, O que a gente faz com ele?
Ficamos os três olhando para aquele gatinho cinza de olhos azuis, com o coraçãozinho disparado e respiração ofegante, sem nenhuma idéia do que fazer agora.
Tive uma idéia: _Amanhã de manhã eu levo para o abrigo de animais que eles arrumam alguém pra adotar. Até lá a gente põe ele numa caixinha e vai cuidando.
Nesse meio tempo meu filho chegou da escola e se juntou a nós, e, eis que surge aquela ternura imediata diante daquela criaturinha mais fofa e inocente. Pronto, ficamos os quatro nos revezando na tentativa de dar leite na boca do filhote, e, por que não, de conversar com ele pra ele não se sentir sozinho. Todos foram dar boa noite ao ilustre sobrevivente antes de dormir... afff...
Hoje de manhã meu pai estava caminhando e ficamos eu e minha mãe tomando café, quando ela disse: _Vou levar o gatinho na loja veterinária, já telefonei pra lá e eles aceitam para doar.
Eu tive que concordar, é melhor levar logo antes que a gente se apegue ao bichinho...
Antes de ir trabalhar eu fui me despedir dele, tirei umas fotos, e, me justifiquei pra ele: _Não podemos ficar com você porque não fica ninguém em casa, mas vamos arrumar alguém muito legal...”. Me dei conta do papel ridículo que estava fazendo, mas, ainda pensava enquanto saía pra trabalhar “se ele fosse ficar que nome eu daria...”.
Cheguei no trabalho e comecei a contar o caso quando a minha colega, Wilma, dá um pulo: _Um gatinho? De que cor? Como ele é? Você vai ficar com ele?
Eu respondi já com saudades do bichinho: _Não, minha mãe vai levar pra loja veterinária doar...
Ela me interrompeu: _Nãããão! Traz pra mim que eu quero. Liga pra sua mãe, não deixa ela levar !!!
Imediatamente telefonei pra minha mãe: _Mãe, arrumei uma mãe adotiva pro nosso gatinho !!!
Eis o grande final: esta que vos escreve, descendo pro trabalho de carro depois do almoço, com uma caixa de sapato contendo um filhote de gato miando desesperadamente dentro, e, conversando com ele “pra não ficar com medo que ia dar tudo certo”.
Cada coisa que acontece...
Tive que registrar o momento da adoção, fazer o que né gente?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Entrevista do Jornal A Notícia (12/11/2010)

Segue texto, sem as perguntas, da entrevista que saiu na edição de hoje do Jornal A Notícia. Espero que possa ter contribuído para a informação do consumidor monlevadense !!! Meus agradecimentos às pessoas da equipe, que foram super atenciosos e estão sempre divulgando o nosso trabalho.



O consumidor deve ficar atento ao produto que está adquirindo: verificar se é aquela marca, tamanho, cor e todas as especificações necessárias para evitar aborrecimentos futuros; Importante também é saber se existe assistência técnica na região, para evitar transtornos com envio de produto para longe; Por fim, mas, importantíssimo, exigir nota fiscal do produto que estiver adquirindo porque ela será o documento comprobatório da compra realizada e é com ela que o consumidor poderá exigir seus direitos; Justamente por isso, o consumidor deve evitar comprar produtos sem procedência comprovada.

As maiores reclamações nesta época de final de ano, com as compras de natal, são os produtos eletrônicos, principalmente celulares e brinquedos, e, eletrodomésticos.

Quando ocorrer um problema, o consumidor deve procurar a empresa primeiro, tanto que existem os SACs, que, de acordo com o Decreto nº 6523/2008, tem que fornecer números gratuitos e estarem disponíveis 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados.
O procedimento correto é o seguinte: o consumidor, assim que constatar o defeito no produto ou serviço deve entrar em contato imediatamente com o SAC da empresa fabricante, solicitando o nome do atendente, número de protocolo e prazo para solução do problema; Se após o decorrer do prazo o problema não for solucionado, aí sim o consumidor deve vir ao PROCON, munido de documentos pessoais, nota fiscal do produto e número de protocolo de atendimento do SAC, para comprovar que tentou solucionar com a empresa antes de procurar pelo órgão; Por fim, o PROCON, com cópia dos documentos fornecidos pelo consumidor, vai entrar em contato com a empresa a fim de tentar uma solução mais rápida para o caso.
 
Fora essa época de natal, as principais reclamações registradas aqui no PROCON são relativas a danos em produtos, que do início do ano até a presente data já somam 293. Os produtos mais reclamados são os eletrodomésticos, eletrônicos e celulares. Logo depois dos produtos vem as reclamações sobre serviços essenciais, que já somam 195 este ano. Tais reclamações, em sua maioria são a respeito de serviço de telefonia, principalmente em relação à má prestação e cobrança indevida. E, em terceiro lugar, vêm as reclamações de assuntos financeiros, já somando 189 neste ano, e, em sua maioria são reclamações sobre cartões de crédito (cobranças indevidas) e empréstimos consignados. Depois, bem atrás, as reclamações sobre Serviços Privados, somando 106 até a presente data, destacando-se a intenet como principal serviço reclamado na área. Por último, temos os problemas relacionados à saúde e alimentos, que são bem poucos os registros, apenas 17 neste ano, com a prestação de serviços de planos de saúde em destaque.

Com o advento da tecnologia temos os problemas relacionados a ela consequentemente, e, agora o consumidor tem a praticidade de comprar com um simples clique do mouse, o que pode acarretar muitos transtornos.
Temos muitos registros de reclamações por compras através da internet, sendo pelos motivos de não entrega do produto ou problemas de troca em sua maioria.
É muito importante que o consumidor procure saber se o site em que está comprando é seguro antes de fornecer seus dados pessoais, tais como CPF, RG e número de cartão de crédito. Outro cuidado fundamental é ler sobre a política de troca da empresa para evitar transtornos com o envio da mercadoria.
Cabe ressaltar que o consumidor tem sete dias para arrependimento da compra quando o fizer pela internet ou telefone, a contar da data de recebimento da mercadoria. Isso é diferente de troca por defeito, que cabe ao fabricante e não ao vendedor, o que os consumidores confundem muito. 

Primeiramente, o que falta é informação ao consumidor, um dos direitos básicos estabelecidos pelo artigo 6º da Lei 8078/90, o Código de Defesa do Consumidor, CDC, e, isso dificulta o nosso trabalho. O que ocorre são duas situações: ou o consumidor nos procura antes de procurar a empresa, baseando-se em suposições ou falsa informações correntes no meio popular, ou, o consumidor nos procura depois de estar sofrendo as conseqüências do problema, após todo o prazo decorrido para tentar solucionar.
É importante que o consumidor tenha conhecimento de seus direitos e siga corretamente os passos para alcançá-los.

O nosso PROCON Municipal é limitado ao âmbito administrativo, ou seja, não podemos aplicar sanções às empresas fornecedoras de produtos ou serviços, mas, mesmo com essa limitação conseguimos bastantes progressos depois da instalação do SINDEC em outubro de 2007.
O Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, o SINDEC, é um sistema integrado ao Ministério da Justiça e coordenado pelo Ministério Público Estadual, que tem total acesso aos registros de todos os PROCONs do Estado de Minas Gerais, e, dessa forma, cobra mais empenho na busca pelo direito do consumidor, fiscalizando os prazos e metas estabelecidos.
Através do SINDEC existem os Atendimentos Preliminares, que são solucionados através de telefones disponibilizados pelas empresas, as CIPs, que são cartas enviadas com prazo de dez a  trinta dias para resposta, e, por fim, as Reclamações Fundamentadas, que são os processos administrativos com audiência de conciliação entre empresa e consumidor. Cabe ressaltar que todos os registros possuem um número de processo no SINDEC, independente da complexidade do procedimento.
Com o advento do SINDEC as empresas se tornaram mais cautelosas porque  nenhuma quer seu nome relacionado num sistema que indica um “mau fornecedor”, e, passaram a respeitar mais o direito do consumidor, cumprindo suas obrigações dentro dos prazos estabelecidos pela lei. Mas, infelizmente, nem tudo são flores, e, quando chega ao ponto de não obter acordo na audiência de conciliação o PROCON encaminha o consumidor ao Juizado Especial Cível, seja por orientação ou via ofício, pois, como disse antes, nossa atuação se limita na esfera administrativa.
De janeiro até a presente data já foram instaurados 800 procedimentos no PROCON Municipal de João Monlevade, sendo 667 Atendimentos Preliminares e CIPs, e, 133 Reclamações ou Processos Administrativos.

É importante que o consumidor busque saber quais são os seus direitos, através do conhecimento do Código de Defesa do Consumidor, Lei 8078/90, que é um dispositivo legal pequeno e de fácil entendimento, podendo ser baixado na internet, comprado em livraria e até mesmo ser obtido gratuitamente aqui no PROCON. Como disse antes, a falta de informação dificulta o acesso aos direitos corretamente e, muitas vezes, prejudica o consumidor que toma conhecimento tarde demais, pois, tudo tem um prazo quando se fala em lei sobre direitos e deveres.
Gostaria de enfatizar que quando o consumidor estiver em dúvida nos procure antes de efetuar qualquer aquisição ou contratar um serviço, pois, assim, podemos esclarecer melhor o assunto antes que o problema aconteça.
O PROCON Municipal está à disposição do consumidor que queira tirar dúvidas pelo telefone, através do número 3851-5780, de 07:00 às 17:00h, ou , pessoalmente na Av. Wilson Alvarenga, 911- sala 02- Carneirinhos, de 13:00 às 17:00h.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Casamento na Polícia... vixe!


Este caso é verídico, aconteceu comigo quando trabalhava na Delegacia, e, por isso, os nomes das pessoas e dos lugares são fictícios, para preservar a privacidade dos pobres coitados.
Estava eu, tranqüila na minha salinha de registro de BO, tão confortavelmente instalada naquela decoração harmoniosa com o ambiente policial que me cercava quando, de repente, entra um monte de gente lá dentro.
Foi uma confusão danada, mais de dez pessoas se acotovelando numa salinha de 2 x 2, e, o pior, todos falando ao mesmo tempo, sem me dar chance de perguntar o que estava acontecendo. Foi aí que eu resolvi fazer valer o lugar que eu ocupava e deu um grito só: _ Cala a boca todo mundo agora !!!
Todos se calaram e olharam para mim perplexos, pois, ao que parecia, nem tinham notado a minha presença no local. Foi quando um senhor, daqueles típicos roceiros, tirou o chapéu em sinal de respeito e se aproximou de mim perguntando se podia falar comigo. Eu disse que podia desde que falasse apenas uma pessoa de cada vez. Todos concordaram e ficaram quietos enquanto o senhor que havia tirado o chapéu se aproximou de mim, notei que ele estava de terno. “_Sá qui é dotôra, é essa menina ali ó, minha fia”- o matuto disse apontando para uma adolescente que deveria ter uns quinze anos e tinha um ar arrogante que só vendo- “_ela não respeita mais eu nem minha muié, né mesmo Maria?"- olhando para a esposa que abaixou a cabeça concordando com ele, pedindo a palavra e se aproximando.
Eu pensei em explicar que era apenas estudante de direito, e, que não era doutora, mas a confusão tava tão grande que eu achei melhor ouvir o que eles tinham pra contar e depois, se fosse o caso, encaminhar ao local pertinente.
Mas, voltando ao cenário, a senhorinha se aproximou humildemente da minha mesa, com seu melhor vestido, e disse: “_ óia só dotôra, nóis é lá do Brejo Seco, sabe onde fica?”- balancei a cabeça afirmativamente para abreviar a situação e ela continuou- “somo gente direita e meu marido é um omi trabalhador por dimais, mais essa menina ficou da pá virada deis que conheceu o namoradu”- disse apontando para um jovenzinho que não devia ter mais do que quinze anos também- “_ela pula a janela de noite pra si encontrar com ele, dá má resposta pru pai quandu ele manda faze argum serviço de casa, num tamo aguentano mais dotôra!"
O rapazinho, ao contrário da moça, ficava de cabeça baixa, olhando pra ponta da botina, e, talvez pensando o que seria dele dali por diante. Nisso, um outro casal se aproxima e o homem também tira o chapéu antes de começar a falar. “_óia só dotôra, nóis somo os pais dessi menino e é verdade o que os cumpadi tão dizendo, eis dois só qué sabe di namora dia e noite, ninguém disgruda mais eis, ta difícil porque ele nem qué me ajuda mais nos afazer da roça” – nisso a senhora que estava do lado dele começa a chorar compulsivamente e ele continua – “num adianta chorar agora Eufrázia, eu concordei com o cumpadi João quando a gente teve aquela prosa onti e agora num tem mais jeito".
Eu estava totalmente perdida no meio daquela situação e sem entender o que estava acontecendo, então, resolvi perguntar: "_ o que exatamente vocês desejam de mim?"
De repente, a moça, arrogante como sempre, e o rapazinho, olhando para o bico da botina, foram colocados diante da minha mesa, seus pais se posicionaram aos seus lados e os demais permaneceram em pé atrás deles. O pai da moça, “cumpadi João”, se aproximou da minha mesa e disse solenemente: “_Óia dotôra, eu e meu cumpadi Zé, pai desse rapazinho aí, tivemo uma prosa onti e decidimo que já que eis num disgruda um do outro, é melhor que case di uma veiz antes que aconteça o pior, se é que a senhora me entende. Nóis já aproveito e trouxe os vizinho pra sê as testimunha do casório que a gente já resorve o pobrema aqui mesmo".
Fiquei parada e sem palavras para o que estava acontecendo na minha frente: os “noivos”, que não tinham nem quinze anos, de braços dados, os pais da “noiva”, enfurecidos, do lado dela, os pais do “noivo” do lado dele, enquanto a mãe se desmanchava de tanto chorar e o pai tinha uma atitude resignada diante de tudo. Os “padrinhos” de pé atrás dos “noivos” estavam com suas melhores roupas para a ocasião. Como é que eu ia explicar que não é assim que funciona? Pensei comigo :”Tô ferrada...”
Mas quem me salvou daquela roubada foi justamente a menina arrogante, a ”noiva”, que deu o grito: “_Não adianta fazer o casamento porque que na hora em que perguntar se eu quero vou dizer NÃO, aí eu quero ver!”
Os pais dela se entreolharam, então o pai me perguntou: “_ dotôra, é verdade que tem uma lei que diz que se a pessoa num quiser num pode obrigar ela a casá?”
Sem pestanejar eu respondi:”_ é verdade sim senhor, se ela diz que não, não tem casamento, infelizmente eu não vou poder fazer nada por vocês.” Ufa... Nessa hora eu ouvi as risadinhas abafadas dos meus colegas que estavam no corredor do lado de fora.
Os “padrinhos” foram saindo da sala frustrados e reclamando porque estavam perdendo dia de serviço, enquanto a mãe do “noivo” chorou mais ainda enquanto abraçava e beijava o filho, como quem diz “Tá livre coitado”. Quando os pais da “noiva” iam saindo com ela eu chamei:”_ei, esperem um minuto, quero conversar com vocês três.”
Os três voltaram ressabiados, a menina com aquele nariz e pé, que Deus me livre. Fechei a porta para me certificar que ninguém ia ouvir e disse com voz firme e enérgica enquanto apontava o dedo para o rosto da menina:”_escuta aqui mocinha, você mora com os seus pais, come e dorme porque eles te sustentam e o mínimo que você deve a eles é obediência. Desta vez eu te livrei de casar, mas se seus pais voltarem aqui pra reclamar novamente do seu comportamento, aí eu não vou querer nem saber, não vou livrar sua cara...”
A menina abaixou a cabeça e começou a chorar, e jurou que não ia desobedecer mais aos pais porque ela não queria casar ainda, enquanto os pais olhavam para mim agradecidos, levantaram e foram embora com a filha.
Nunca mais eu tive reclamação de que ela estava desobedecendo aos pais...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Paciência...

Sabem aquela brincadeira que as pessoas fazem dizendo “que quando Deus distribuiu ‘tal coisa’ acabou na vez de fulano”? Então, quando chegou a minha vez acabou a paciência, aliás, acho que já tinha acabado há muito tempo porque não sobrou nem um pouquinho pra mim. Sou extremamente impaciente com tudo e com todos, principalmente quando se trata de perguntas tolas, daquelas óbvias mesmo.
O problema é que junto com a intolerância, ou impaciência, veio a impulsividade e aí é que a coisa desanda de vez. Falo e faço coisas sem pensar. Não é minha culpa, sério, é mais forte do que eu. Quando eu assusto, pronto, já foi. É uma má resposta aqui, um tapa na cara ali, enfim, a minha lista de arrependimentos por coisas que eu disse, ou fiz, é enorme.
Mas nada como o tempo passar e a maturidade chegar para nos mostrar que a vida não é bem como a gente pensa. Com o tempo, fui aprendendo que nem sempre dá certo falar, ou fazer, o que vem na cabeça, pois, tudo tem uma conseqüência, e, no mundo adulto o preço pode ser alto demais, inclusive uma hipertensão que me pegou. Sem contar que passei a analisar o tempo da minha vida que perdi discutindo tantas bobagens, simplesmente para provar que eu estava certa no final.
Então passei a desenvolver técnicas para passar pelas situações estressantes sem sair no prejuízo. Resolvi que não é tão importante perder meu precioso tempo só para provar que estou certa sobre um assunto que nem vai mudar o destino da humanidade. Resolvi também que não vale à pena ter certas reações desastrosas que possam queimar o meu filme depois.
A técnica que mais vem dando certo é a da abstração. É bem simples: quando me vejo no meio de uma situação “daquelas” que eu sei que vou acabar falando, ou fazendo, o que não devo eu me teletransporto para um lugar bem legal e fico só de corpo presente, aí, no final, simplesmente concordo com a pessoa que estava discutindo comigo, pronto.
Como é interessante ver a cara de surpresa da outra parte quando percebe que não vai haver discussão, chega a ser hilário, pois, não era essa a reação que as pessoas estavam acostumadas a ver em mim.
Por favor, não confundam as coisas. Isso não quer dizer que passei a fazer pouco caso da opinião alheia, não mesmo. Respeito todos os pontos de vista que me são fundamentados, nem precisa ser um assunto sério demais, pode ser qualquer bobagem do dia a dia.
Também não pensem que virei um “pastel” de vez. Se é um assunto que eu domino, e, que seja importante, eu exponho o meu ponto de vista e a fundamentação de que estou certa, aí, se a outra parte teimar em brigar, “viajo na maionese” até ela cansar e no final balanço a cabeça.
A versão “Andréa paz e amor” (não resisti ao trocadilho) me trouxe muitos ganhos na qualidade de vida, menos ansiedade, menos inimizades e menos temeridade por parte dos outros. Como dizia meu professor de Direito Administrativo, “não é bom que as pessoas tenham medo da gente porque quem tem medo, conspira”!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Meu momento


As pessoas que me conhecem a pouco tempo acham muito estranho que uma mulher solteira, livre, desimpedida e (quase) independente goste de passar horas no sofá lendo um livro enquanto o mundo gira tão rápido lá fora.
Não fui sempre assim, já gostei de acompanhar o movimento frenético da vida, e muito. Não perdia uma festa, show, balada, qualquer coisa que juntasse gente e fizesse barulho, mas, depois, acabou. Em parte, acho que o fato de eu ter trabalhado numa delegacia de polícia contribuiu um pouco pra isso porque eu passei a conhecer algumas figurinhas não muito bem vindas no meu dia a dia, e, as reconhecia em meio à multidão de qualquer festa. Mas, também veio o fato de que certas diversões perderam a graça para mim. De repente, ficar no meio de uma multidão barulhenta passou a ser algo tedioso e irritante pra mim.
Então cheguei à conclusão que não fazia sentido ficar em meio a um monte de pessoas se empurrando e acotovelando se aquilo não tinha mais a menor graça pra mim. O problema é que as pessoas não entendem e acham um absurdo: “como é que você prefere ficar em casa enquanto o Sucupira “tá” bombando hoje a noite?”, ou “você não gosta de Cavalgada, como assim?”. Às vezes eu me sinto um ET por não gostar de ir aonde todos vão, ou, não gostar do que todos gostam.
O fato é que quando pego um bom livro pra ler eu me transporto para dentro das páginas e me sinto em meio àquela narrativa, imaginando cada personagem e cada lugar descrito. Se for um filme, que eu gosto muito também, analiso a personalidade dos personagens, a atuação de quem os representa, os cenários, a continuidade, fico tensa, tentando descobrir o que há por trás da trama... Isso tudo pra mim é tão divertido quanto os programas acima citados pelos meu conhecidos que me acham estranha. E assim gosto de passar minhas horas de folga, meus finais de semana, feriados, etc.
Costumo dizer aos meus colegas de trabalho que o fim de semana perfeito pra mim é aquele que eu entro em casa na sexta-feira depois do expediente e só saio novamente na segunda-feira cedo para voltar ao batente.
É claro que eu não virei uma eremita, um bicho-do-mato que não admite contato com a civilização... também não é assim gente!
Eu gosto de um churrasquinho de “porta de cozinha”, daqueles que vai uma meia dúzia de conhecidos e ficam como se estivessem em casa, sem frescura nenhuma. Se tiver um violão na roda então, aí é que esqueço da vida. Gosto também de ir ao bar do Joãozinho com meu filho, ou algum amigo (só três pessoas têm este título para mim), ficar conversando fiado enquanto devoramos uma montanha de carne com batata frita... adoro. Como vocês podem ver, abro minhas exceções se valer à pena. 
Outro dia estive conversando com uma amiga, no bar do Joãozinho, e ela me disse o que define minha vida atualmente: estou vivendo um momento muito EU. Aliás, o que me tem feito muito bem.