segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um Sonho Possível

cartaz oficial do filme

Neste final de semana assisti a um filme maravilhoso, chamado “Sonho Possível”, estrelado pela Sandra Bulock, que mereceu o Oscar recebido pela atuação. É a história verídica de uma mulher rica, loira, bem casada, mãe de dois lindos filhos, com uma vida confortável, que resolve cuidar de um jovem negro problemático, o “Big Mike”, que estudava como bolsista na escola de seu filho, leia-se, escola de ricos.
O jovem não era problemático no sentido de violência ou drogas, como se imagina de cara, mas, em falta de amor e déficit de aprendizagem. Foi criado em um bairro pobre de negros da periferia, onde o tráfico de drogas reina impune. Era empurrado de casa em casa porque sua mãe é viciada em crack, motivo pelo qual foi tirado dela quando era pequeno, e, empurrado de escola em escola por causa do baixo QI, porque dá muito trabalho se dedicar a este tipo de aluno.
O Estado não resolveu nenhum dos problemas, jogando-o em casa de parentes pobres, que não tinham condições de dar-lhe o que precisava, e, colocou-o em escolas públicas comuns que não tinham a menor condição de acompanhar o seu problema de aprendizado. As escolas públicas dos EUA sofrem os mesmos problemas das escolas daqui, digo isso apenas para ilustrar o texto, não tenho nenhuma intenção de criticar porque também não tenho a solução para o problema.
O que me encantou no filme foi a coragem de uma mulher que tinha tudo para ser uma dondoca fútil, abrir sua casa e seu coração para ajudar aquele jovem que nunca havia sentido o que era o amor verdadeiro, o amor incondicional.Ela toma o lugar do Estado e faz tudo por aquele jovem. Não só no sentido material, como lhe dar uma casa, comida e roupas, mas no sentido afetivo, colocando-se como uma verdadeira mãe em todos os sentidos da palavra.

Ela chega ao ponto de ler histórias infantis porque ele nunca havia ouvido uma, e se coloca como uma leoa para defendê-lo quando qualquer tipo de preconceito é destilado contra ele, ou, quando ele sente-se desprotegido. Isso é ilustrado durante o seu primeiro jogo, quando um homem o humilha pela sua cor e ela se levanta gritando “ele é meu filho”, ou, no momento em que ele, perdido nas ruas, telefona para ela pedindo ajuda e a chama de “mamãe”.

A nossa heroína chega a sofrer preconceitos no meio em que vive em nome do amor incondicional dedicado ao rapaz. Suas amigas insinuam que "ele pode roubar sua casa" ou até mesmo "estuprar a filha dela". Num momento de alta hipocrisia, uma de suas amigas diz "que acha lindo o gesto dela ter mudado a vida daquele rapaz", mas ela a fulmina: _Não, foi ele quem mudou a minha vida !
O final eu não vou contar porque senão perde a graça para quem não viu o filme, mas assistam, foi um dos melhores filmes que já assisti até hoje, vale muito como obra e como aprendizado humano.
O que me entristece, e muito, é que em nossa correria do dia a dia, lutando pela sobrevivência e/ou pelo sucesso, nos esquecemos de que existem muitas crianças e jovens na mesma situação, aqui, bem próximos, precisando de alguém que lhe abra não só a casa, mas também o coração.
Pra terminar fica a pergunta, e, seja sincero: _ Você abriria a sua casa e seu coração para um “Big Mike”?

lendo história para seus filhos


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Shaiane

Ontem, ao abrir minha página de recados do Orkut, me deparei com a seguinte mensagem:

“Ex Chefinhaa que eu adoro..... Andrea fui visitar o seu blog ameiiii vou voltar sempre lá viu....
Obrigadoo pelo carinho que você tem por mim pelas fotos comentadas .
É  Andrea aquela menina tímida que você conheceu lá na assistência que você tratou com tanto carinho e cuidado nao poderia deixar de te agradecer por tudo que vc fez comigo pelo jeito de conversar de me tratar, jamais vou me esquecer qdo vc dizia.... meninas tomem cuidado com o que falam (Shaiane é de menor)  eu amava pois me sentia muito protegida por você.....
Realmente Andrea você foi sensacional... Muitooo obrigado por tudo nunca vou me esquecer de tudo que passamos no meu primeiro emprego no meu primeiro local de trabalho pelo qual fui tao bem acolhida por todas.....
Ahh  quero te dizer também que eu passei na faculdade de RH aqui na Funcec  vou começar a estudar em fevereiro....
Infelizmente meu contrato vence dia 12/01 estou saindo mas com confiança de que vou encontrar outro serviço o mais rápido possível afinal mulher tem que batalhar pelos seus sonhos e ir em busca da felicidade sempre.
Acabo meu texto aqui te agradecendo novamente e dizendo que te adoro muito! Bjus t++ 
....Não esquece de mim tá....

Pedi permissão para a autora da mensagem para postá-lo aqui porque não tenho palavras para dizer o que senti ao ler o scrap. Me pegou de surpresa. Uma surpresa boa demais. A Shaiane foi trabalhar na primeira equipe que eu coordenei na Administração, há cerca de quase dois anos, e, como ela mesma disse, era uma menina tímida, que agora é uma jovem que sabe o que quer da vida.

Eu é que te agradeço pela linda homenagem e por me considerar uma referência na sua vida. Seus pais plantaram muito bem, e, agora vão começar a colher os frutos, porque tenho certeza de que você vai ser uma mulher de sucesso e vai dar muito orgulho a eles.

Agora, eu é que peço: Não esquece de mim, tá?


Eis a autora da mensagem: Shaiane


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Múltiplas personalidades

Já escrevi pra vocês sobre a dificuldade de ter que ser durona enquanto na verdade se é “mulherzinha”, pois, hoje vou escrever sobre um desdobramento deste assunto: as minhas várias personalidades. Mais de uma pessoa do meu convívio pessoal já me disse que parece que eu tenho uma personalidade para cada situação em que eu vivo. Parei pra pensar e cheguei a conclusão que é verdade mesmo. Não que eu seja uma louca, mas cada situação exige uma atitude. Vejamos então.
Quando eu estava na faculdade era a “Andréa estudante”, e, no estilo anos 60: não podia subir num caixote que já estava fazendo discurso. Lutava pelo direito dos alunos, liderava “rebeliões”, apoiava outros cursos que estivessem lutando por uma causa. Mas também não perdia uma botecada, uma festa, um churrasco, beijei na boca... abafa! Curti ao máximo tudo o que um estudante universitário pode curtir.
Faculdade, que tempo bom !
No meu trabalho, eu sou a “Andréa séria”, no sentido máximo da palavra. Sempre formalmente trajada, linguagem adequada ao ambiente, postura extremamente profissional. Sigo ao pé da letra os princípios da impessoalidade e formalidade o tempo todo porque sou uma fanática pela Administração Pública: só faço declarações, pedidos ou respostas por escrito e dentro da lei, sem fazer distinção de quem esteja sendo atendido.
Dra  Andréa tem que ser séria
Tem também a “Andréa amiga”, sempre pronta a ouvir o que a outra parte tem a dizer, chorar junto, e, disposta a dar uma bronca se for o caso, porque amigo não é só pra passar a mão na cabeça ! Gosto de um bom papo ao pé do fogão ou até mesmo em um barzinho, desde que não haja multidão (detesto), ouvindo música de boa qualidade e dando boas gargalhadas.

Amigos para sempre: eu e Alfred
Sou também a “Andréa irmã”, que só pode ver seus irmãos uma vez por ano porque eles moram muito longe... fazer o que? Mas quando a gente se junta faz bastante bagunça enquanto coloca o papo em dia tomando uma gelada, comendo um churrasquinho e dando muita risada dos nossos causos, que não foram poucos! E, se for o caso, porque não também pedir ou dar conselhos de vez em quando...
O trio Dornas Silva
Um outro desdobramento é a “Andréa filha”, e, a única que mora com os pais. Nos acostumamos à companhia um do outro e temos nossos sistemas de organização do dia a dia, saímos juntos, participamos de festas, discutimos, fazemos as pazes. Costumo ser mediadora de conflitos, mas não gosto muito de dar palpites porque no final eles ficam sempre de bem aos beijos e abraços!

Eu, pap's e mam's
Digamos que a minha personalidade mais complexa é a “Andréa mãe”, vou explicar porque. Sou daquelas mães bravas pra c... que cobra nota boa e passar de ano no 3º bimestre; também não aceito que saia de casa sem dizer com quem, aonde e a que horas volta (isso quando eu não levo e busco). Mas também adoro brincar de lutar vale-tudo, ver futebol na TV, zoar com a cara do meu filho quando o time dele perde, sair pra comer carninha no “Joãozinho” e falar sobre música (leia-se rock &roll). Também viro uma leoa se alguém mexer com a minha cria... ai de quem se atrever! Agora me diz se não é complicado harmonizar tudo isso ?
A minha personalidade preferida: mãe
A minha mais nova personalidade é a “Andréa tia”, a supernovidade. Quando meu irmão me ligou dizendo que eu seria tia eu nem acreditei. Parecia um sonho que ia nascer um bebezinho que ia me chamar de tia. Quando eu pude ver e segurar no meu colo aquela criaturinha pequenina e frágil, fiquei passada. Dá vontade de beijar, abraçar, apertar o tempo inteiro, fiquei completamente boba e babona, é uma delícia. Só de pensar que no natal do ano que vem ele vai estar correndo pra lá e pra cá... é a coisa mais fofa do mundo!
A novidade mais fofa que me aconteceu
Bem, deixei por último a “Andréa mulher”, porque é a que está um pouco esquecida há algum tempo. Uma decepção deixou a minha auto-estima meio que em baixa, mas, resolvi me resgatar. Emagreci um bocado, comprei umas roupinhas (que não são ternos), voltei a me arrumar, e, por que não,  me apaixonar? Sim, resolvi reabrir meu coração para a vida, o que está me trazendo de volta a vontade de ficar bem comigo mesma, de ficar bonita novamente. Resolvi gostar de mim novamente !
Eu bem comigo mesma

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Reconciliação

Nos meus dezoito anos de serviço público eu já fiz de tudo: dei aula pra criança, dei aula pra adolescente e pra marmanjo, aí, “por castigo ideológico” fui atender telefone na porta da Delegacia de Polícia, o que me levou a ser Escrivã nomeada pelo Delegado, que me incentivou a cursar a faculdade de Direito... ufa!
Há dois anos fui surpreendida com o convite para coordenar uma equipe na Administração Municipal, o que me deixou assustada, mas, ao mesmo tempo empolgada porque era a minha chance de “sair do castigo” e de trabalhar na área em que me empenhei tanto, o Direito, afinal de contas foram cinco anos ali no banco da faculdade, três meses de estudo para passar na famigerada prova da OAB!
Mas, liderar implica em tomar decisões, que, por muitas vezes envolvem o destino das pessoas. Tudo segue uma hierarquia: você recebe uma ordem superior e tem que fazer funcionar em sua equipe, porque o que se busca na Administração Pública é o bem coletivo, e, é nisso que eu acredito.
Eis que um belo dia chegou a mim uma ordem superior de remanejar duas pessoas, e, eu teria que escolher entre três. Aliás, não era bem assim, porque eu tinha duas opções no mesmo horário, mas, apenas uma no outro horário, que, por sua vez, já tinha um emprego em outro turno. O que me deixou menos tensa é que eu não mandaria ninguém embora, seria apenas um remanejamento, ou seja, ninguém perderia o emprego nem seus direitos inerentes. Mas a coisa não foi encarada dessa forma, o bicho pegou literalmente !
Conversei com as duas meninas do turno em que eu poderia escolher e expliquei a situação, dizendo que teria que remanejar uma pessoa de cada turno e infelizmente eu teria que escolher entre as duas. Foi uma choradeira geral. A equipe era composta de sete mulheres, então vocês imaginam o drama da situação quando eu conversei com essas duas, que eu adoro de coração. Depois de muitas lágrimas e abraços a decisão foi tomada baseada num fator neutro escolhido por mim e continuamos todas amigas.
O problema foi com a pessoa do outro turno, que não haveria escolha por ser a única. No dia seguinte à reunião em que remanejei uma das meninas eu não iria ao trabalho por causa de um exame que exigia preparo. Então, supliquei ao pessoal da equipe que não dissesse nada para ela para que eu conversasse sobre o assunto e explicasse tudo pessoalmente. Foi o mesmo que dizer: “contem tudo, e, distorcido”.
Estava em casa fazendo o tal preparo para o exame quando o meu telefone toca. Era de lá. Me avisaram que “alguém” contou a história totalmente distorcida, colocando o fato como pessoal e a menina foi parar lá na minha equipe superior, de onde veio a ordem, reclamando de perseguição. Não demorou cinco minutos para o meu telefone tocar novamente e a minha equipe superior me questionar o fato, dizendo que havia uma pessoa lá se queixando de perseguição.
Foi um custo explicar o que aconteceu na realidade e que foi uma fofoca bem das maldosas que criou a situação, pois, eu supliquei à minha equipe que não contasse nada, pois eu conversaria pessoalmente sobre o remanejamento dela, que não era opcional, uma vez que ela já exercia atividade remunerada em outro turno. Mas, graças a Deus, meus superiores entenderam a situação e me apoiaram.
O grande problema é que foi criada uma mágoa muito grande e eu ganhei uma inimiga. Ela passou a me virar o rosto na rua. Mas nada como o tempo para curar as feridas e os mal entendidos.
Eu estava fazendo uma audiência quando o Juiz me perguntou se eu me importava de uma estagiária assistir porque ela teria que cumprir uma carga horária, e, a estagiária era ela. Fiz questão de dizer que eu não me importava porque já estive naquela situação.
Um ano se passou, eu estava com meu filho no bar do “Joãozinho” quando ela passou e acenou para alguém que estava lá dentro, e, eu, por impulso, acenei de volta pra ela, que, para minha surpresa, sorriu.
Exatamente um dia antes do recesso de natal deste ano eu estava afogada em minha papelada quando, de repente, a filha dela, menina linda e alto astral, entrou saltitando na minha sala. Eu levei um susto porque até então a menina estava proibida de falar comigo. A menina, com seu jeito alegre e espontâneo me deu um embrulho e disse:”minha mãe mandou pra você”. Acho que a menina notou que eu estava chocada e disse: “abre pra ver o que é”.
Quando eu abri, me deparei com o livro “Ágape”(Pe. Marcelo Rossi). Não sei descrever o que senti naquele momento, principalmente quando abri o prefácio e li a primeira linha: “Ágape é amor incondicional, o amor generoso, o amor sem limites; puro, livre!”. Me levantei e dei um abraço apertado e demorado na menina, dizendo :”fale com sua mãe que eu adorei”. No mesmo dia mandei recadinho pela internet perguntando: ”amigas de novo?” e ela respondeu: “Claro!”
Quem me conhece sabe que não tenho religião oficial, tiro o que há de bom em cada doutrina e levo pra minha vida. Mas, ganhar este livro de presente teve um significado muito especial pra mim, estou lendo e vou guardar com muito carinho, pois, teve um significado muito importante na minha vida: RECONCILIAÇÃO !
Não soube, e nem quero saber, quem foi o autor da maledicência que causou nossa inimizade, mas Deus nos reaproximou, e, é isso que importa agora. Não vou ilustrar este texto com fotos porque eu não pedi permissão, mas quero que ela saiba que ainda vamos nos encontrar pessoalmente para nos darmos um abraço bem demorado e fraterno.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Natal em família, uma bagunça deliciosa !!!


eu fazendo bico porque meu sobrinho chorou no meu colo...


Desde criança sempre adorei o natal. Pra mim, era época de família reunida, os primos correndo pra lá e pra cá, amigo oculto, presentes dos avós e dos padrinhos, rabanada... uma delícia !!!
Como a minha família morava em Vitória/ES, meus avós paternos em João Monlevade/MG e meus avós maternos em Volta Redonda/RJ, meus pais decidiram que a cada ano o natal seria em uma das casas, o que tornava ainda mais legal a aventura.
Nos mudamos para João Monlevade no início da minha adolescência, época em que a família de lá meio que começou a dispersar, ao mesmo tempo em que a daqui se juntava e fazia o maior furdunço (se é que é assim que se escreve isso). Minha tia que faz aniversário no dia 24 de dezembro trazia um bolo e o churrasco rolava noite adentro, e, no dia 25 era o almoço na casa da vó Olga.
Mas o tempo foi passando, os avós foram embora morar com Papai do céu, cada filho passou a ter seus filhos casados e com filhos também, formando seus próprios núcleos. Então, acabou o churrascão do dia 24 de dezembro, mas, ainda tentaram manter o almoço do dia 25, cada ano na casa de alguém, ou, em algum restaurante, mas, também não deu certo, foi cada um pro seu canto.
Agora nós temos o nosso núcleo familiar também, e, apesar de pequeno, fazemos a nossa festinha de natal aqui em casa. À noite uma ceia com troca de presentes e no outro dia um churrasquinho pra comemorar o dia 25 de dezembro. Mas uma tradição das minhas avós, Maria e Olga, a minha mãe não deixou de lado: antes da ceia, todos têm que dar as mãos agradecendo pelo ano que passou, rezando um Pai Nosso em homenagem ao nascimento do menino Jesus.
Este ano o natal foi mais especial porque tínhamos um novo integrante na família, um bebezinho de quatro meses, meu sobrinho. Aí começou a confusão: eles vêm com o neném ou não? Todo mundo dando o seu palpite: “o neném vai dormir a viagem toda, nem vai sentir”, “que maldade fazer uma viagem longa dessas com um neném”, “ ele ainda é muito pequeno e pode pegar alguma doença”. Por fim, foi decidido: iríamos todos para a cidade do neném, e pronto.
Reserva de hotel, compra passagens de ida reservando a volta, afinal de contas é uma época em que todo mundo viaja. Desembarque no Terminal Tietê, nas palavras uma colega minha “a filial do Afeganistão”, acomodação no hotel, dormidinha de tarde pra agüentar a noite, e, meu irmão, muito solícito, fazendo questão de levar e buscar a gente pra lá e pra cá !
No final, foi uma delícia e adaptado. A troca de presentes teve que ficar para o dia 25 de dia porque depois da ceia o neném estava mamando. Na hora da tradicional foto da família, mais confusão: eu queria de todo jeito sair com o meu sobrinho no colo, mas ele chorou, aí o pai dele teve que pegar, mas eu peguei de volta... afff, haja paciência!
Mas a novidade deste ano foi que depois de darmos as mãos antes da ceia para o tradicional Pai Nosso, agradeci a Deus pelo novo integrante da família, meu sobrinho Vítor.

eu feliz porque peguei meu sobrinho de volta !!!


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vilãs

                                                         
Sabe essas vilãs de novela? Quem não se lembra da Odete Roitman, de Vale Tudo; da Flora, de A Favorita; Nazareth, de Senhora do destino, e, a mais famosa no momento, a Clara, de Passione. Elas são meigas, delicadas como uma flor, se fazem de boazinha na frente de todos, mostram as garras para suas vítimas quando acham o momento oportuno, e, quando são desmascaradas se fazem de coitadinhas e injustiçadas. Pois é, elas existem na vida real.
E digo mais, conheço gente assim. É claro que não posso dizer nome nem colocar foto por motivos legais, mesmo tendo como provar tudo o que passei, é possível que eu seja processada por difamação... rs rs rs.
Desculpem a amargura deste texto, para vocês que estão acostumados com o meu bom humor, mas é que fui separada de uma pessoa que amo incondicionalmente por causa de uma maldade muito grande, e, mesmo já se passando tantos anos eu não consigo esquecer porque as feridas não cicatrizam de jeito nenhum. Parece que nesta época do ano nos tornamos mais sensíveis... sei lá.                          
Você que está lendo este texto sabe o que é amor incondicional? É aquele amor que vem da alma, que você sente pela pessoa sem se importar de onde ela venha, o que ela faz ou o que ela seja. Você está do lado daquela pessoa para o que der e vier, você não separa a briga, já chega dando a voadora. Aí é que foi o meu erro...
No momento em que o veneno foi destilado ao objeto do meu amor incondicional, eu cheguei dando a voadora sem dó nem piedade. Sabem o que aconteceu? O mesmo que acontece nas novelas: é claro que na minha inocência de defender quem eu amo não me preocupei em ter testemunhas para o meu ato, e, a vilã se debulhou em lágrimas, saindo vitoriosa, como a pobre vítima da Andréa "arrogante", “impulsiva” e “inconseqüente”. Sabem quem ficou do meu lado? Ninguém. Nem mesmo quem sabia a verdade.
O motivo de escrever este texto em uma época que todos pensam somente em alegria e confraternizações é que justamente a vilã da história teve a coragem de me desejar “Feliz Natal”, para “que meu coração amolecesse”. Não posso dizer o que tive vontade de responder porque também posso ser processada por injúria, e, só aí já seriam dois processos num só texto... putz!
Me desculpem o desabafo meus leitores, mas é que tamanha falsidade mexeu muito comigo, porque fui afastada de uma das pessoas que mais amo e ainda tenho que suportar uma coisa dessas?

Não tenho ódio por essa pessoa, e nem por ninguém, muito pelo contrário, oro por ela todos os dias para que se arrependa do pecado que cometeu ao separar (graças a Deus apenas fisicamente) duas pessoas que se amam acima de tudo, um amor espiritual e limpo, acima das maldades do mundo.

Para encerrar com um pouco de bom humor, vou ilustrar o texto com famosas vilãs de novela. Espero que nenhuma das atrizes me processe pela comparação...

                                   

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O resgate


Não pensem que é um caso sobre alguma experiência de crescimento espiritual ou pessoal. Nada disso, é mais uma abobrinha do meu dia a dia. Aconteceu ontem lá em casa.
Estávamos nós, batendo aquele papo da hora do almoço, com aquele desanimo de segunda-feira, quando escutei um barulho diferente. Nada assustador, parecia um miado de filhote de gato ou de pássaro, sei lá.
Falei então: _ Gente, tem um filhote de gato por aqui.
Meu filho: _ Não tem nada, ficou doida mãe?
Meu pai: _Aonde é que vai ter um filhote de gato por aqui?
Fui pra fora da casa, olhei no lote ao lado, procurei nos arredores da casa e nada. O miado só aumentando e cadê o gato? Fazer o que, né? Fui trabalhar de pois do almoço.
Cheguei do trabalho à tarde e fiquei de bobeira na sala quando o miado começou novamente. Meu pai teve um insight: _ Esse gato está no telhado !!!
Eu pensei alto: _ Mas como um filhote de gato foi parar no telhado gente???
Meu pai levantou de repente:_ Vamos tirar ele de lá agora e já saiu pegando a escada de armar e levando para a varanda enquanto planejava a estratégia.
Saímos eu e minha mãe em disparada atrás dele, cada uma mais histérica do que a outra:_ Ai meu Deus, você vai cair da escada !!!
Minha mãe preocupadíssima: _ Bem, a gente tem que viajar amanhã, você não pode nem pensar em machucar ...
Meu pai assumiu a frente da situação: _Já localizei o bicho, vou ter que desmontar o telhado. Vocês duas me ajudem segurando as telhas que eu tirar.
Eu e minha mãe, as subordinadas, obedecíamos as ordens do comandante, e, enquanto segurávamos a escada (toda enjambrada) para meu pai não cair íamos recolhendo as telhas que ele tirava, entre um grito histérico e outro.
Meu pai desmontou parte do telhado e ficou pra fora, da cintura pra cima, procurando o bicho, até que então: _Tô vendo ele, tá com a cabeça presa embaixo da telha do acabamento do telhado, vou ter que ir mais um pouco.
Mais gritos histéricos das mulheres enquanto ele se esticava para fora do telhado executando a meticulosa operação. Depois de uns três minutos e uns cinco gritos ele voltou heróico segurando um minúsculo filhote de gato em uma das mãos, me entregando o bichinho e parando no alto da escada para recuperar o fôlego para montar o telhado novamente e descer.
Telhado remontado, meu pai em terra firme, para nosso alívio. Então surgiu a pergunta: _E agora, O que a gente faz com ele?
Ficamos os três olhando para aquele gatinho cinza de olhos azuis, com o coraçãozinho disparado e respiração ofegante, sem nenhuma idéia do que fazer agora.
Tive uma idéia: _Amanhã de manhã eu levo para o abrigo de animais que eles arrumam alguém pra adotar. Até lá a gente põe ele numa caixinha e vai cuidando.
Nesse meio tempo meu filho chegou da escola e se juntou a nós, e, eis que surge aquela ternura imediata diante daquela criaturinha mais fofa e inocente. Pronto, ficamos os quatro nos revezando na tentativa de dar leite na boca do filhote, e, por que não, de conversar com ele pra ele não se sentir sozinho. Todos foram dar boa noite ao ilustre sobrevivente antes de dormir... afff...
Hoje de manhã meu pai estava caminhando e ficamos eu e minha mãe tomando café, quando ela disse: _Vou levar o gatinho na loja veterinária, já telefonei pra lá e eles aceitam para doar.
Eu tive que concordar, é melhor levar logo antes que a gente se apegue ao bichinho...
Antes de ir trabalhar eu fui me despedir dele, tirei umas fotos, e, me justifiquei pra ele: _Não podemos ficar com você porque não fica ninguém em casa, mas vamos arrumar alguém muito legal...”. Me dei conta do papel ridículo que estava fazendo, mas, ainda pensava enquanto saía pra trabalhar “se ele fosse ficar que nome eu daria...”.
Cheguei no trabalho e comecei a contar o caso quando a minha colega, Wilma, dá um pulo: _Um gatinho? De que cor? Como ele é? Você vai ficar com ele?
Eu respondi já com saudades do bichinho: _Não, minha mãe vai levar pra loja veterinária doar...
Ela me interrompeu: _Nãããão! Traz pra mim que eu quero. Liga pra sua mãe, não deixa ela levar !!!
Imediatamente telefonei pra minha mãe: _Mãe, arrumei uma mãe adotiva pro nosso gatinho !!!
Eis o grande final: esta que vos escreve, descendo pro trabalho de carro depois do almoço, com uma caixa de sapato contendo um filhote de gato miando desesperadamente dentro, e, conversando com ele “pra não ficar com medo que ia dar tudo certo”.
Cada coisa que acontece...
Tive que registrar o momento da adoção, fazer o que né gente?