terça-feira, 8 de março de 2011

Minhas viagens no carnaval 2011

Na sexta-feira antes do carnaval, uma chuva danada, ao me despedir do pessoal do trabalho e do prédio, todo mundo me olhou penalizado quando eu disse que não ia viajar no carnaval. Costumo brincar dizendo que “nos feriadões eu fico com a chave da cidade”. Mas, sabe aquele olhar do tipo “coitada, vai ficar sem fazer nada!!!”. Mero engano... O conceito de diversão é muito subjetivo eu diria. Vejam só.
tomando conta da cidade
Logo no primeiro dia fui parar em St. Louis, nos Estados Unidos, em meio a uma confusão envolvendo uma série homicídios, e, uma investigadora muito louca tinha um prazo de 24h para desvendar e salvar a vida de seu amigo, Jean, nada menos que um vampiro dono de uma boa exótica na cidade. Foi uma correria danada, ajudada por zumbis, lobisomens enquanto cabeças voavam por todo lado... Juro !!!
primeira viagem a St.Louis
Mas, nesse meio tempo, voltei pro meu canto e fiz uma comidinha danada de boa na companhia do meu filho, quem me conhece sabe que essa é uma das minhas maiores diversões, cozinhar e conversar fiado com minha cria... oh coisa boa !
cozinhando pra relaxar... tudo de bom !!!
Mas a tal investigadora maluca entrou em outra confusão e eu fui parar nos Estados Unidos de novo, na mesma cidade. Só que dessa vez ela estava no meio de uma confusão envolvendo um milionário tentando reviver seu antepassado rico e uma bruxa que tentava atrapalhar o tempo todo. Mas corre pra lá, corre pra cá, indo parar até dentro de cemitério... credo !!!
lá vou eu de novo pra St. Louis...
Eu não dei conta de St.Louis, é muito misticismo, bruxaria, cada beco com casa de vodu que vocês nem imaginam. E os turistas por todo o lado que não dão folga? Aí eu tinha que dar um tempo pra cabeça e tomar uma latinha de Skol pra descansar um pouco de tanta correria junta
skolzinha pra relaxar que ninguém é de ferro...
Pra arejar a cabeça um pouco mais eu fui parar de novo nos Estados Unidos, só que numa vila de pescadores em Nova Inglaterra, com direito a velejar com cabelos ao vento (faz de conta, tá?), se apaixonar. Mas, é claro que nem tudo são flores, e, teve uma pequena correria para resolver um incidente provocado pela negligência de uma velejadora experiente, apesar de nova.
muito amor e paixão na Nova Inglaterra... ah, os romances !
Bem, como eu não sossego o “facho” (minha avó é que falava assim), fui parar lá em Nova York, no meio de outra confusão envolvendo um roqueiro cinqüentão que tinha mania de namorar menininhas e de colecionar objetos macabros, e, de repente, se vê às voltas com nada menos que um fantasma perseguindo-o. Pode?
voltando ao normal: suspense de arrepiar em Nova York
Bem, já que se falou em rock, me desculpem os fãs de axé, pagode e afins, respeito a todos, já que estamos no carnavall, mas, vocês acham que qual ritmo combinaria mais com tantos lugares e pessoas que conheci, além das aventuras em que me meti, durante apenas quatro dias de carnaval? E que venha o próximo feriadão...
o velho e bom rock and roll...abafa aquela cafeteira ali atrás !!!

sábado, 5 de março de 2011

III Seminário Maria da Penha da Monlevadense

Momento em que fiz a abertura dos trabalhos



No dia 03 de março de 2011, às 14:00h, na casa do Bem Viver, situada na Rua Nova York, bairro Novo Cruzeiro, nesta cidade, realizou-se o III Seminário Maria da Penha da Mulher Monlevadense, em parceria com a Câmara Municipal e a Prefeitura Municipal, além de apoio da Secretaria Municipal de Trabalho Social.
Eu fui a coordenadora dos trabalhos como advogada, integrante do Lions Clube de João Monlevade Sobral, além de ser uma apaixonada defensora dos Direitos Humanos. As demais palestrantes foram a Dra. Joyce Carlos da Motta Figueira, Delegada de Mulheres e a Dra. Vanessa Vieira, representante da OAB/MG, Subseção de João Monlevade.
Dei início aos trabalhos explanando sobre os aspectos gerais da Lei Maria

Eu iniciando os trabalhos
da Penha, a Lei 11.240,06, informando primeiramente a origem do nome da lei, explicando às mulheres presentes quem é Maria da Penha Fernandes, que se tornou o símbolo da luta pelos direitos das mulheres. Logo após tracei um paralelo sobre a situação da mulher vítima de violência antes e depois da Lei Maria da Penha, ressaltando os benefícios trazidos pelo referido dispositivo legal.
A Dra. Joyce falou sobre o histórico dos direitos femininos e informou às presentes sobre as etapas do atendimento feito pela Autoridade Policial dentro da Lei Maria da Penha, focando nos avanços trazidos pelo dispositivo no quesito celeridade e eficiência. Ao final, a Delegada mostrou um vídeo onde uma mulher vítima de violência dizia “que não voltaria para o homem porque ela era linda e merecia coisa melhor”. Apesar de arrancar risos nas presentes, o vídeo deixou bem claro que o importante é a mulher se gostar e se cuidar em primeiro lugar.

O público compareceu em massa e foi muito participativo
A Dra. Vanessa abordou os procedimentos legais conforme a Lei Maria da Penha, explicando, especificamente, o que acontece quando o processo sai da Delegacia e chega ao Fórum, ressaltando todas as fases, desde a intervenção do Ministério Público em Defesa da mulher, até o momento da audiência, quando a mulher tem o direito, garantido por lei, de comparecer acompanhada de um advogado, podendo pagar, ou não.

Mesa dos trabalhos: Dra. Joyce, Cássia, Vereadora Dulcinéia, Dra, Vanessa eMª Aparecida, Cons. da Mulher
A representante da Prefeitura, Rita de Cássia, foi enfática em sua fala, ao dizer que mais importante do que entregar flores e presentes no dia Internacional da Mulher é repassar informações como aquelas do seminário e que as mulheres, cientes de seus direitos, não devem se calar diante dos abusos sofridos.
A vereadora Dulcinéia encerrou o evento dizendo que denunciar a violência pode ser um ato de amor, pois, ao impor limites ao parceiro a mulher pode deixar claro que o ama, mas, que ele não pode fazer dela o que quiser. A vereadora, por fim, enfatizou a auto estima, dizendo que é extremamente importante a mulher gostar de si mesma para que, depois, alguém goste dela.

Vereadora Dulcinéia encerrando as palestras
As mulheres da comunidade compareceram em peso e foram bastante participativas, mostrando-se interessadas em conhecer seus direitos e saber como exercê-los. O evento foi positivo e surgiu a idéia de que daqui em diante passe a acontecer em bairros, para que ocorra maior participação, como foi o caso deste.

A Enfermeira do PSF, Ana Paula, fazendo sua considerações
Ao final, nós, palestrante fomos surpreendidas com uma homenagem dos alunos do Pro Jovem, que nos ofereceram presentes feitos nas aulas ministradas nos projetos do Bem Viver, e, para quem já acompanha meu blog, sabe o que isso significou, pois, há onze anos eu era professora exatamente ali naquela casa onde emanava amor ao próximo e muita, mas, muita alegria de viver.
Eu, emocionada com o presente que ganhei da comunidade que mora no meu coração

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Terapia sim, por que não?


Este texto, de início, foi enviado para um pequeno grupo de amigos meus, mas, depois pensei que podem existir muitas pessoas na mesma situação que eu, porém, sem coragem de tomar uma atitude, então, fiz algumas modificações e resolvi torna-lo público.
antes da terapia

"Aconteceram algumas coisas em minha vida que me deixaram chateada, magoada, e até mesmo decepcionada, a princípio, e que depois evoluíram para uma depressão.
Durante mais de um ano eu me fechei para a vida, não quis sair de casa para nada nem queria ver ninguém. Minha auto estima foi embora e eu só queria ficar quieta no meu cantinho, com meus livros. Eu só ia ao trabalho e nada mais. Até uma hipertensão apareceu na minha história.
Depois resolvi procurar tratamento médico e comecei a fazer uso de medicamentos contra ansiedade, depressão e hipertensão, mas, somente medicamentos, sem terapia, não resolvia muito, pois eu continuava guardando para mim o que estava sentindo. Tinha muito preconceito em ir a um psiquiatra porque achava que "era coisa de doido"... o que iriam pensar de mim?
Nesse meio tempo, meus amigos me chamavam pra sair ou para festas e eu sempre inventava uma desculpa para não ir, então, aconteceu o óbvio, todos desistiram de me chamar (já que eu não ia mesmo...) e eu me vi totalmente isolada, no fundo do poço mesmo.
Mas, isso não foi culpa deles, e, sim minha, porque, afinal de contas fui eu que resolvi usar a técnica do avestruz e enfiar a cabeça num buraco fingindo que dessa forma os problemas desapareceriam. Mas não desapareceram.
Então, joguei meu preconceito no lixo e resolvi fazer tratamento psiquiátrico há três meses (agora não tenho vergonha de dizer em lugar nenhum), aí sim, as coisas estão começando a voltar aos eixos, já que posso falar e discutir abertamente sobre as coisas que estavam me fazendo mal.
Dessa forma, pude perceber que a fuga não era a solução que eu procurava, muito pelo contrário, tenho que encarar meus fantasmas de frente e enfrentá-los um a um. Isso é uma batalha diária.
Os únicos laços que eu não rompi foi com o meu filho e meus pais, eles são especiais demais, e, me ajudaram muito nessa caminhada. Mas e as outras pessoas?
Então, tive que começar do zero, resgatando os vários "departamentos" da minha que foram deixados para trás. Começando por mim, fazendo um regime, perdendo peso para ter de volta a auto estima perdida e abrir o coração novamente.
No momento, estou na fase de resgatar meus amigos, o que também é uma luta diária, pois, tenho que reconquista-los aos poucos, já que os abandonei sem ao menos dar uma explicação.
É claro que ainda existem “departamentos” a serem resgatados, mas, vai chegar a hora de cada um, tudo a seu tempo.
Todos os dias quando vou me deitar eu agradeço a Deus por ter passado mais um dia em paz e com vontade de viver. A minha alegria está voltando aos poucos... vivendo um dia de cada vez como se fosse o único !!!"


Depois de começar a terapia


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poli


Me lembro de chegar ao PROCON, sempre muito atarefada, e encontrar no corredor uma moça linda, com dois olhos verdes assustados. Ela me abordou no corredor e perguntou: _ Aqui é o PROCON?. Eu, meio atordoada, respondi com outra pergunta: _ Você está precisando de atendimento?, Ela respondeu timidamente: _ Não, me chamo Poliane e vim trabalhar aqui, sou do trabalho educativo da Fundação Crê-Ser.
Respirei fundo, como que para começar tudo de novo, e disse com um sorriso aberto: _ Então seja bem vinda à equipe PROCON. Somos poucos, mas, somos “gente boa”, e, serviço é o que não falta !!!
Ela me devolveu um sorriso aliviado e tímido... mas era só o início. Era abril de 2010.
Com o passar do tempo, de tímida, ela mostrou que não tinha nada, mas, sim muita alegria e um alto astral contagiante, que coloriu o nosso PROCON. Sua espontaneidade contagiou a todos !
Mas, as regras são claras, atingindo a maioridade os adolescentes, que viram adultos, têm que sair do projeto para dar lugar a outros aprendizes, e, a nossa menina vai completar seus 18 aninhos no dia 20 de fevereiro... que pena pra nós. Ela é nosso xodó, ai de quem mexer com a nossa baixinha linda !!!
É claro que ela estava esperando uma festinha “surpresa” de despedida na sexta-feira, dia 18 de fevereiro, que é seu último dia de trabalho aqui conosco. Mas, para surpreende-la de verdade, tivemos a idéia de fazer a festinha na segunda-feira, pois, ela não estaria esperando.
E tome providências para fazer tudo sem que ela percebesse, esperta como ela só... Encomenda de flores e salgadinhos, compra do presente, tudo às escondidas, e, a chefinha aqui inventou um monte de coisa pra ela fazer na rua pra dar tempo de arrumar a festinha. Contamos até com a ajuda do Admilson do Almoxarifado Municipal, que foi incumbido de ficar enrolando a menina por lá enquanto eu não telefonasse dizendo que estava tudo pronto.
Por fim, festinha arrumada na minha sala com a porta fechada, eu entro chamando-a com uma cara de brava: _ Poli, vamos na minha sala agora que eu quero fazer uma reunião com todo mundo.
Todos já avisados me seguiram com uma cara temerosa de que “algo grave aconteceu”, e, quando ela entrou na sala foi aquela bagunça: flores pra cá, presente pra lá, empadão com coca-cola... uma farra que realmente pegou a Poli de surpresa. Foi tudo de bom !
Nós só podemos te desejar tudo de bom no caminho que agora a seguir na vida adulta, e, que todos os seus sonhos se realizem.
Eu, particularmente, me apeguei muito a você, minha menina que virou adulta.
TE AMO. BEIJOS E MUITO SUCESSO !!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Se...

Peço licença ao (brilhante) poeta Djavan para publicar a letra de uma de suas mais bonitas composições porque estou (estava) justamente vivendo esta situação, porém, com papéis inversos, mas, nessa altura do campenato ficar correndo atrás e insistindo...
Então, tchal pra vocês que eu vou pra minha aula de japonês em braile !!!

“Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você
diz só que vive pensando em mim
Pode
ser

Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...

Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do
que você decidir se dá ou não.”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Carta de um médico

Tomei a liberdade de de postar esta carta sem pedir permissão ao autor porque está circulando na internet e nos jornais, então, entendo que trata-se de algo que tenha que chegar à público. Conheço o autor desde a adolescência, Fred pra nós, e, é ele quem cuida do meu filho, que o "adotou" como médico há algum tempo.
"Meu nome é Frederico Bicalho Garcia. Moro na cidade de João Monlevade, onde nasci e trabalho como cirurgião geral no Hospital Margarida, único da cidade, há 10 anos.
Infelizmente, o que eu quero compartilhar com vocês é uma grande tristeza, frustração e sensação de impotência. Nesta época do ano, em que se somam aumento do trânsito na BR 381 (conhecida como “rodovia da morte” e que corta nossa cidade) e período de chuvas, recebemos diariamente em nosso Hospital dezenas de vítimas de acidentes da estrada. E, apesar do elevado número de tragédias, não conseguimos nos acostumar com elas. Mas quero deixar um alerta específico para os pais que viajam com crianças.
Esta semana tivemos 2 exemplos que nos marcaram. No dia 28 de dezembro atendi uma família que se envolveu em um acidente. Estavam no carro, pai, mãe e 3 crianças, uma delas bebê de colo. Esta criança viajava em sua cadeirinha, com cinto de segurança corretamente colocado, mas no momento do acidente a mãe havia tomado-a no colo para amamentar. Como resultado, a criança foi ejetada para fora do veículo, o que configura uma situação de grande risco e associado a alta mortalidade. No entanto, sofreu apenas leves hematomas e recebeu alta do Hospital 24h depois do acidente, em ótimas condições.
Acreditem ou não, 2 dias depois tivemos uma situação idêntica. Pai, mãe, 3 filhos, sendo um bebê de colo corretamente colocado da cadeirinha, que saiu apenas para amamentar ao peito da mãe, quando ocorreu o acidente. Toda a família foi encaminhada ao nosso Hospital, sem apresentar nenhuma lesão de maior gravidade, apenas pequenos arranhões e hematomas. Quando me chamaram para atendê-los, perguntei à mãe se ela sentia alguma dor, pois chorava muito, quando ela me disse que seu bebê havia morrido no acidente. Ao lado, uma menina de 9 anos, chorando continuamente por ter perdido um irmãozinho de 3 meses de vida. Que remédio eu poderia receitar para ela, para aliviar sua dor? Confesso que tive que me afastar do pronto soccoro por alguns instantes para aliviar as lágrimas que me vieram aos olhos. Tenho 2 filhas, uma delas da idade daquela menina e a outra com apenas 2 anos, e só conseguia pensar nelas e o que representam em minha vida. Acho que todos nós pensamos que não conseguimos viver sem nossos filhos, até que uma tragédia aconteça. Apenas Deus pode ser o remédio para aliviar o sofrimento daquela menina e sua família.
Então, imploro a todas as mães que, ao viajarem com suas crianças, utilizem todos os acessórios de segurança possíveis e todo o tempo. Se tiverem que retirá-las da cadeirinha por qualquer motivo, peçam ao pai para parar o carro. Serão perdidos apenas alguns minutos. Hoje uma família chora por não ter agido assim.
E se alguém importante em nosso país estiver lendo esta carta, saiba que apenas a duplicação da estrada é a solução para salvar muitas vidas que, certamente, continuarão a se perder nesta nossa atual realidade.
Obrigado pela atenção."
Por fim, digo que me emocionei muito ao ler a carta porque compartilho de seus sentimentos, já que, além de cidadã, sou mãe de um adolescente e tia de um bebê de quatro meses.
Nós é que te agradecemos Fred, por soltar o desabafo que está preso dentro de todos nós que somos obrigados a trafegar por essa rodovia sem nenhuma segurança.

Meus dois amores, duas pessoas preciosas na minha vida



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um Sonho Possível

cartaz oficial do filme

Neste final de semana assisti a um filme maravilhoso, chamado “Sonho Possível”, estrelado pela Sandra Bulock, que mereceu o Oscar recebido pela atuação. É a história verídica de uma mulher rica, loira, bem casada, mãe de dois lindos filhos, com uma vida confortável, que resolve cuidar de um jovem negro problemático, o “Big Mike”, que estudava como bolsista na escola de seu filho, leia-se, escola de ricos.
O jovem não era problemático no sentido de violência ou drogas, como se imagina de cara, mas, em falta de amor e déficit de aprendizagem. Foi criado em um bairro pobre de negros da periferia, onde o tráfico de drogas reina impune. Era empurrado de casa em casa porque sua mãe é viciada em crack, motivo pelo qual foi tirado dela quando era pequeno, e, empurrado de escola em escola por causa do baixo QI, porque dá muito trabalho se dedicar a este tipo de aluno.
O Estado não resolveu nenhum dos problemas, jogando-o em casa de parentes pobres, que não tinham condições de dar-lhe o que precisava, e, colocou-o em escolas públicas comuns que não tinham a menor condição de acompanhar o seu problema de aprendizado. As escolas públicas dos EUA sofrem os mesmos problemas das escolas daqui, digo isso apenas para ilustrar o texto, não tenho nenhuma intenção de criticar porque também não tenho a solução para o problema.
O que me encantou no filme foi a coragem de uma mulher que tinha tudo para ser uma dondoca fútil, abrir sua casa e seu coração para ajudar aquele jovem que nunca havia sentido o que era o amor verdadeiro, o amor incondicional.Ela toma o lugar do Estado e faz tudo por aquele jovem. Não só no sentido material, como lhe dar uma casa, comida e roupas, mas no sentido afetivo, colocando-se como uma verdadeira mãe em todos os sentidos da palavra.

Ela chega ao ponto de ler histórias infantis porque ele nunca havia ouvido uma, e se coloca como uma leoa para defendê-lo quando qualquer tipo de preconceito é destilado contra ele, ou, quando ele sente-se desprotegido. Isso é ilustrado durante o seu primeiro jogo, quando um homem o humilha pela sua cor e ela se levanta gritando “ele é meu filho”, ou, no momento em que ele, perdido nas ruas, telefona para ela pedindo ajuda e a chama de “mamãe”.

A nossa heroína chega a sofrer preconceitos no meio em que vive em nome do amor incondicional dedicado ao rapaz. Suas amigas insinuam que "ele pode roubar sua casa" ou até mesmo "estuprar a filha dela". Num momento de alta hipocrisia, uma de suas amigas diz "que acha lindo o gesto dela ter mudado a vida daquele rapaz", mas ela a fulmina: _Não, foi ele quem mudou a minha vida !
O final eu não vou contar porque senão perde a graça para quem não viu o filme, mas assistam, foi um dos melhores filmes que já assisti até hoje, vale muito como obra e como aprendizado humano.
O que me entristece, e muito, é que em nossa correria do dia a dia, lutando pela sobrevivência e/ou pelo sucesso, nos esquecemos de que existem muitas crianças e jovens na mesma situação, aqui, bem próximos, precisando de alguém que lhe abra não só a casa, mas também o coração.
Pra terminar fica a pergunta, e, seja sincero: _ Você abriria a sua casa e seu coração para um “Big Mike”?

lendo história para seus filhos